A origem do nome
Originalmente chamada de Sacopenapã (que na língua tupi significa o caminho das socós (ave pernalta, da família dos ardeídeos, muito abundante nas restingas do Rio de Janeiro), toda a região da atual Copacabana, que antes abrangia também toda a área até a Lagoa Rodrigo de Freitas, só veio a trocar de nome em meados do século XVIII quando passou a ser conhecida como Copacabana, (que na língua quicha, nativa do Peru e da Bolívia, quer dizer mirante do azul) e, também, vem do termo aymara arcaico Copakawana e significa aquele que atira a pedra preciosa.
Na península da região de Copacabana, ao Sul do lago Titicaca, entre os países do Peru e da Bolívia, existia uma onde estava uma imagem da Virgem Maria, supostamente milagrosa, chamada Nossa Senhora de Copacabana. Uma réplica dessa imagem foi mandada para o Rio de Janeiro e colocada, inicialmente, na Igreja da Misericórdia, no Centro, e, depois, numa ermida de pescadores, no atual Posto 6.
Náufrago, frei Antônio do Desterro foi parar na praia da Copacabana e atribuiu à Santa sua salvação, construindo para ela uma capela e fazendo assim surgir o nome do bairro.
O nascimento do bairro
A história de Copacabana começa com a inauguração do Túnel de Copacabana, a 6 de julho de 1892 (hoje Túnel Alaor Prata, mais conhecido como Túnel Velho), construído pelo engenheiro Coelho Cintra, gerente da Companhia Ferro-Carril Jardim Botânico.
Por muito tempo Copacabana foi habitada apenas por humildes pescadores que viviam em palhoças. Muitos homens e companhias de empreendimentos anteviam as possibilidades do bairro e apostavam nelas lançando loteamentos. Foi o progressivo entrelaçar desses loteamentos que deu o aspecto geometricamente ordenado às suas ruas.
Para motivar ainda mais o público, as companhias interessadas, como a do Jardim Botânico, alardeavam as qualidades do bairro, mas alguns acionistas da empresa achavam temerário fazer circular bondes sobre terreno arenoso. Seus diretores, porém, argumentaram que “as duas praias de Copacabana e Arpoador são dotadas de um clima esplêndido e salubre, beijadas constantemente pelas frescas brisas do oceano, constituindo dois verdadeiros sanatórios e que como parte de uma cidade periodicamente dizimada por epidemias, rapidamente seriam procuradas pela população como nas cidades balneárias da Europa”.
Desde os primeiros anos do século XVIII, muitas terras de Copacabana eram desmembradas em chácaras de variadas dimensões. Em 1779 Copacabana foi integrada no sistema defensivo da cidade, para evitar a entrada de piratas, com a edificação de fortificações no Reduto do Leme do Forte do Vigia, no morro da Babilônia e o Reduto de Copa-Cabana, junto a Ponta da Igrejinha. Já existiam as baterias do Inhangá do Reduto do Leme.
Quando Copacabana não passava de um imenso areal, havia somente um acesso por mar, até alcançar a praia com vários alagadiços onde estariam antigas tabas de índios tamoios. Em 1855, nascia a ladeira do Barroso, atual Tabajaras e seu prolongamento a Rua Siqueira Campos.
José Martins Barroso, proprietário de terras em Copacabana, mandou construir uma estrada de meia rodagem, onde pudessem transitar carruagens e cavaleiros em direção à praia, ligação que começava na Rua Real Grandeza, subindo a grota entre os morros de São João e da Saudade. Esta assim criada a segunda passagem que levava à Copacabana.
Depois de muitas concessões que não deram em nada, a 16 de agosto de 1872, o Decreto 5.058 concedeu ao Barão de Mauá o privilégio, por 20 anos, para lançar cabos submarinos e explorar a telegrafia elétrica entre o Brasil e a Europa através da Brazilian Submarine Telegraph Company. Finalmente, a 22 de junho de 1874, o Brasil era ligado à Europa pelo cabo submarino. Nesse dia, por seus serviços prestados, o Barão de Mauá foi elevado a Visconde.
Os trabalhos começaram num terreno desmembrado da Fazenda de Copacabana, na praia das Pescarias, atual Posto Seis. Entre cajueiros e pitangueiras foram construídas duas casas, uma por onde passava o cabo submarino e a outra, ao lado, para os funcionários, era a casa dos ingleses. De Copacabana, em junho de 1874, o Brasil passa a ser ligado à Europa por esse cabo submarino.
Um homem em particular, o doutor Figueiredo Magalhães, acreditava muito no futuro de Copacabana. Morador de uma chácara no bairro, desde o começo da década de 80, do século XIX, passou a apregoar os benefícios terapêuticos dos bons ares e mares da tranqüila Copacabana a seus pacientes e alguns anos depois, o Dr. José de Figueiredo Magalhães iniciou um serviço de diligências para Copacabana, saindo da Rua São Clemente para a Rua Real Grandeza, em Botafogo, subia a ladeira do Barroso, hoje dos Tabajaras, até Copacabana. Já havia uma casa de saúde, com hotel anexo, em 1878, que o Dr. Figueiredo Magalhães mandara construir para atender seus pacientes.
Na década de 90, do século XIX, formou-se a Empresa de Construções Civis para lotear Copacabana. Essa empresa foi criada por Alexandre Wagner, seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, junto com Paula Freitas e Torquato Tapajós. Em 1891, a empresa comprou as propriedades de Alexandre Wagner que iam das proximidades da ladeira do Barroso até o Leme, para abertura de ruas e construções de casas.
A construção dos túneis e linhas dos bonde
A região só foi incorporada à cidade em 6 de julho de 1892, com a inauguração provisória do Túnel de Real Grandeza, atual Túnel Velho, cujo nome correto é Túnel Alaor Prata. Nessa ocasião, com a presença do presidente, em exercício, Marechal Floriano Peixoto, foi lavrada uma ata que marcou, oficialmente, o nascimento do bairro de Copacabana.
Esse grande melhoramento permitiu que fosse estendida uma linha de bondes, a princípio de tração animal, até a Praça Serzedelo Correia. Posteriormente, estenderam-se ramais até o Leme e o fim da Rua Nossa Senhora de Copacabana.
Outro túnel, conhecido como Túnel Novo, só foi construído em 1904 e um segundo ao seu lado bem mais tarde, ambos cortando o Morro da Babilônia.
Os primeiros anos do século XX foram de grande progresso para o bairro de Copacabana, quando foram instalados os primeiros bondes movidos a eletricidade para o ramal do Túnel de Copacabana até a estação Malvino Reis (atual Praça Serzedelo Correia). Foi construído um grande restaurante-balneário, no final da praia do Leme e criado o Grupo Carnavalesco o Prazer do Leme.
Em 4 de março de 1906, é inaugurado o Túnel do Leme (atual Engenheiro Coelho Cintra) que ligava Botafogo à Rua Salvador Correia (hoje Avenida Princesa Isabel), com bondes de tração elétrica até a praça do Vigia (atual Praça Júlio de Noronha).
Nesse mesmo ano, o prefeito Pereira Passos iniciou as obras de construção da Avenida Atlântica, que até então não passava de fundo de quintal das casas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. A pedreira de Inhangá é arrasada e as calçadas são revestidas de mosaicos pretos e brancos, com desenhos em ondas, trazidos de Portugal.
Com as facilidades de acesso ao novo bairro torna-se moda ir à Missa do Galo, na Igrejinha de Copacabana. Uma grande novidade: é inaugurado o primeiro cinema do bairro, na Praça Serzedelo Correia. Nessa época, os habitantes das cerca de 600 casas do bairro podiam divertir-se na Cervejaria Brahma, no final do ramal do bonde do Leme, e no Cabaré Mère Louise, próximo à Igrejinha, que funcionava dia e noite e lembrava um cabaré de far west. É criada a paróquia de Nossa Senhora de Copacabana e Santa Rosa de Lima. No promontório da Igrejinha é colocada a pedra fundamental para a construção de uma fortaleza, atual Forte de Copacabana.
O crescimento do bairro
Em 1910, dezoito anos após sua existência como bairro, Copacabana tinha 20.000 moradores que enviaram um abaixo-assinado à Prefeitura reivindicando a instalação de escolas, sanatório e praça para recreação infantil. A aviação estava em franco desenvolvimento e a praia de Copacabana era considerada um excelente campo de pouso, não só pela sua extensão de areia, como pelas ótimas condições de visibilidade para os pilotos dos aviões, que decolando da praia, iam fazer piruetas nos céus do Centro da cidade.
Com a presença do presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, em 1914, junto à Igrejinha é inaugurado o Forte de Copacabana. No ano anterior, eram iniciadas as obras de construção do Forte do Leme (hoje Forte Duque de Caxias) no início da praia do Leme, no Morro do Vigia do Leme.
Somente em 1915 foi assinado pelo prefeito Rivadávia da Cunha, o decreto determinando a separação de Copacabana do distrito da Gávea, apesar de sua criação em 1892.
Outro decreto de outubro de 1917 reconhece a denominação de Praia de Copacabana, nos seus mais de 4km de extensão, que tinha 45 ruas, 1 avenida, 4 praças, 2 ladeiras e 2 túneis.
Na Praça Vinte e Seis de Janeiro, atual Praça Bernadelli (mais conhecida como Praça do Lido, foi construído um pavilhão normando, em 1928, onde durante muitos anos funcionou um dos restaurantes mais elegantes da cidade, o Lido. Seus bailes de carnaval eram famosos e iam até as 11 horas da manhã.
Em 1931, encontravam-se construídos vários prédios de apartamentos, naquela região. Esses prédios recebiam a denominação de palacetes – atribuição equivalente à das casas isoladas, dos palacetes das classes abastadas, como forma de conferir-lhes o mesmo grau de distinção que estes e tornado-os bem aceitos. O Palacete Duvivier, de propriedade de Eduardo Duvivier; o Edifício Itaóca; o Palacete Veiga; o Palacete São Paulo, a Casa Rosada; o Palacete Oceânico são alguns destes prédios.
Os apartamentos também deveriam oferecer bastante conforto e o mínimo de privacidade para que não se comparassem às habitações coletivas. Deveriam ter entradas nobres e entradas de serviço. As dependências de empregados deveriam ficar o mais que pudessem, afastadas dos cômodos que serviam às famílias. Deveriam ter pelo menos duas salas: a de visitas e a de jantar; saletas e quartos amplos. Materiais nobres como piso de mármore, decorações em gesso em alto relevo, cristais lapidados, lambris de madeira, eram indispensáveis.
Os estilos arquitetônicos predominantes eram o Luís XV e o Luís XVI. Os ocupantes desses primeiros edifícios eram, geralmente, estrangeiros, que procuravam alugar os apartamentos sobretudo na época do verão. As famílias não precisavam se preocupar com empregados, pois os encarregados dos apartamentos se incumbiam de tudo- num tipo de serviço que poderia ser considerado o precursor dos apart-hoteis, que se instalariam no bairro, e na cidade, cinqüenta anos mais tarde.
As crianças residentes nos apartamentos faziam das praças e da praia seus quintais. Os apartamentos Ferrini, na Rua Sá Ferreira, no entanto, ofereciam opção de lazer, o que não precisava ser em espaços públicos: em seu terraço, os inquilinos desfrutavam de jogos de salão, balanços, bancos de jardins. As facilidades, porém, tinham um alto custo. Assim, ficava clara a sua destinação a pessoas mais abastadas.
A implantação dos arranha-céus em Copacabana dividiu as opiniões dos moradores: para uns, os edifícios não passavam de casas de cômodos e pareciam verdadeiros caixões, para outros, eram uma onda de civilização. De qualquer forma, a quantidade de edificações como esta, era ainda pouco expressiva. Os prédios mais altos localizavam-se na Avenida Atlântica, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e no Lido – os lugares que possuíam maior largura.
Apesar de ainda existirem muitas casas, o surgimento dos pequenos e grandes prédios foi mudando rapidamente a fisionomia das ruas do bairro.
Copacabana teve a sua paisagem marcada pelas construções em estilo art-decô, com a simplicidade das linhas retas, as janelas inspiradas em vigias de navio e guarda-corpos de ferro arredondado. Foi neste bairro que este estilo se mostrou de forma mais expressiva. Até hoje, podemos identificá-lo em alguns prédios: nos vastos halls, nos detalhes em ferro e vidro das portas, nos letreiros e luminárias, nos relevos sutis do concreto das fachadas, nas saliências e reentrâncias.
A criatividade e as características desse estilo são marcantes. A grande flexibilidade da planta dos apartamentos possibilitava uma circulação interna tranqüila por todos os cômodos. O uso externo de revestimentos nobres, formando uma barra de proteção, resguardava as paredes em contato com a rua. As varandas e balcões com parapeitos de alvenaria, total ou parcialmente embutidos no corpo da edificação, se destacavam. A boa qualidade dos materiais de construção utilizados e o uso de formas arredondadas, principalmente nos prédios de esquina, permitiram uma ótima conservação.
O Copacabana Palace Hotel, com seu cassino, alçou a fama e a internacionalização do bairro.
Havia outro cassino no bairro, inaugurado dois anos antes, o Atlântico, edificado onde antes era o Mère Louise (no futuro, estaria ali a TV Rio e, hoje, o Sofitel Rio Palace Hotel). Os cassinos atraíam personalidades do mundo todo até o dia 30 de abril de 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra baniu o jogo do país. O Copacabana Palace Hotel teve a glória de hospedar reis, imperadores, príncipes, presidentes do Brasil e de vários países, marajás da Índia, intelectuais, cientistas, artistas de todo o mundo e figuras respeitadas das mais diversas categorias.
Começaram a circular, em Copacabana, os ônibus da Light, em 1931. Por essa época, nos seus arranha-céus já existiam apartamentos de aluguel por temporada, destinados a estrangeiros e turistas que vinham ao Rio de Janeiro passar o verão na praia. O edifício Palácio Império, na revista O Cruzeiro, anunciava apartamentos mobiliados, restaurante e garagem. Em 1938, na administração do prefeito Henrique Dodsworth, foram concluídos os trabalhos de corte do morro do Cantagalo, ligando Copacabana à Lagoa Rodrigo de Freitas.
A década de 40 viu Copacabana se firmar como bairro chique e sua vida noturna foram divididos entre seus dois cassinos, o Copacabana, que pertencia ao Copacabana Palace Hotel, e o Cassino Atlântico, na Avenida Atlântica, esquina com a Rua Francisco Otaviano.
Porém, logo depois de empossado, em 30 de abril de 1946, o presidente Eurico Dutra, em decreto, proíbe o jogo no Brasil. O Cassino Atlântico logo fechou as portas, por não ter um hotel de sustentação, como era o caso do Cassino do Copacabana Palace Hotel, que transformou o espaço para shows e outras atividades turísticas. E assim surge a nova boêmia em Copacabana, onde o seu templo maior (embora de curta duração e final trágico) foi a boate Vogue.
Nessa época a vida noturna da cidade transfere-se definitivamente para Copacabana e o comércio varejista tinha 793 estabelecimentos, enquanto a população do bairro chegava perto dos 75.000 habitantes.
Em 1955, foi inaugurado o primeiro supermercado com auto-serviço, o Disco (atual Pão de Açúcar), na Rua Siqueira Campos. Nesse mesmo ano, um incêndio determinava o fechamento de um dos mais famosos hotéis de Copacabana, o Vogue, na Avenida Princesa Isabel, cuja boate Vogue era freqüentada pela alta sociedade carioca.
Dois anos depois o Rock and Roll é lançado no Brasil, justamente em Copacabana, no Copa Golf onde hoje é o Shopping Cassino Atlântico. Do Leme ao Posto Seis, Copacabana torna-se definitivamente centro de lazer da cidade. Havia 06 cinemas, o Bob’s, a varanda do Hotel Miramar, a Colombo, a piscina do Copacabana Palace, as missas do Padre Barbosa, a Americana, o Bar do Frederico (no andar térreo da boate Fred’s) e o Scaramouche (em frente ao Bob’s). O roteiro da noite incluía 36 restaurantes, 4 teatros, 3 lanchonetes (snack bars), 2 clubes e 20 boates (night clubs).
Com o alto padrão econômico da população de Copacabana expandiu-se o transporte individual que dividia, com dificuldade, o espaço de acesso ao bairro, com ônibus e bondes. O desenvolvimento da indústria automobilística, recém criada no Brasil, fez com que a construção de prédios com garagens e estacionamento. As famílias de classe média cuja aspiração era atingir um status convencionado pela sociedade de então, procuravam morar em Copacabana, mesmo que fosse em pequenos apartamentos.
Sempre havia um mocinho bonito que fazia musculação, mostrando os músculos ao usar camiseta apertada e era a imagem do jovem pobre, que procurava uma vida melhor, morando ou freqüentando o bairro.
Em menos de duas décadas verificou-se a necessidade de abrir novos túneis, dentro do bairro. O primeiro ligava, em 1960, a Rua Barata Ribeiro à Rua Raul Pompéia, hoje denominado Túnel Sá Freire Alvim. Esse foi um ano de grandes modificações, que visavam a melhoria do trânsito de veículos em Copacabana.
No dia 30 de janeiro, após a inauguração da pista de alta velocidade do Aterro do Flamengo, o presidente Kubitschek, juntamente com o prefeito do Distrito Federal, Sá Freire Alvim, inauguravam a duplicação da Avenida Princesa Isabel, possibilitando a ligação do túnel Marques Porto, ou Túnel Novo, com a Avenida Atlântica por mais de uma pista. Para essa duplicação da pista, foi necessária a implosão de um prédio, a primeira da cidade. Após isso a comitiva oficial dirigiu-se para outra inauguração, desta vez do túnel que ligava a Rua Barata Ribeiro à Rua Raul Pompéia, quando o presidente fez um discurso, lembrando que já fôra morador de Copacabana.
Em 1963, outro túnel era entregue ao trânsito, cada vez mais pesado, de Copacabana, ligava as ruas Tonelero e Pompeu Loureiro, que recebeu o nome de Túnel Major Rubem Vaz.
A aspiração de viver em Copacabana, inclusive às sociais menos favorecidas, fez surgir os edifícios com os apartamentos conjugados, de dimensões mínimas, tipo JK, numa alusão às iniciais do presidente Juscelino Kubitschek, mas, na realidade, queria dizer janela e kittchenette. O mais importante bairro da cidade transformara-se numa verdadeira selva de prédios, que se reproduzia de maneira vertiginosa e desordenada. Entre os anos 60 e 70, Copacabana já era um bairro saturado, mesmo assim foram liberados os gabaritos dos prédios para 12 andares, especialmente para hotéis, desaparecendo a visão do contorno das montanhas.
Naturalmente, com toda essa nobreza e afluência, duas grandes favelas apareceram nas encostas dos seus morros, desde a década anterior: a do Cantagalo e a da Babilônia. O bairro crescia, construções de casas e edifícios eram levantadas e de ruas abertas em direção do mar. Nas areias de Copacabana praticavam-se todos os tipos de esportes: jogava-se pelada, peteca e o futebol de areia que deu origem a diversos clubes.
Começam a se formar turmas de jovens no bairro que elegem esquinas e praças para as reuniões, onde criavam e mantinham as festas do carnaval e juninas. O ponto mais famoso dessas reuniões era o da Rua Miguel Lemos.
O sistema de moradia em apartamentos levou à formação de grupos de jovens que moravam na mesma rua. As várias esquinas, até hoje, têm seus turmas de jovens. Nos anos 50 a mais famosa delas foi a da Rua Miguel Lemos, onde um líder se destacou, Cristiano Lacorte, que de sua cadeira de rodas movimentava o grupo, comparecendo a todos os eventos de Copacabana. No quarteirão eram – ainda hoje são – organizadas festas referentes a diversas comemorações do ano. No Carnaval crianças e adultos brincavam e continuam brincando na calçada, ao som de músicos especialmente contratados para os três dias de festas. Esses grupos se espalharam pelas ruas e não há Copa do Mundo de Futebol que não tenha as ruas decoradas por eles. Nas festas juninas são montados verdadeiros arraiás para a diversão dos moradores.
Lançaram e lançam modismos na música, nos esportes e na maneira de ser, como: o uso da lambreta, do blue jeans, o rock’n roll, esportes e a freqüência maciça aos cursos de línguas estrangeiras (na década de 90, cursos de informática).
Copacabana tinha muitas livrarias e dava atenção especial aos programas teatrais e cinematográficos, tornando-se o bairro pioneiro no surgimento de cineclubes, concertos musicais e a ter platéia para as Jam Sessions, sempre com muito sucesso. Sem dúvida, foi um modo de fazer com que vivendo na vertical os jovens desenvolvessem uma convicção de equilíbrio nas diferenças de classes sociais.
Os incríveis banhos de mar
Os banhos de mar entraram na moda e a Prefeitura resolveu regulamentar o funcionamento dos balneários. Em 1917 o prefeito Amaro Cavalcanti, baixou um decreto regulamentando o uso do banho de mar:
“O banho só será permitido de 2 de Abril à 30 de Novembro das 6h às 9h e das 16h às 18h. De 1 de Dezembro à 31 de Março das 5h às 8h e das 17h às 19h. Nos Domingos e feriados haverá uma tolerância de mais uma hora em cada período.”
“Vestuário apropriado guardando a necessária decência e compostura.”
“Não permitir o trânsito de banhistas nas ruas que dão aceso às praias, sem uso de roupão ou paletots sufficientemente longos, os quaes deverão se fechados ou abotoados e que só poderão ser retirados nas praias.”
“Não permitir vozerios ou gritos, que não importem em pedidos de socorro e que possam alarmar os banhistas.”
“Prohibir a permanencia de casaes que se portem de modo offensivo à moral e decoro públicos nas praias, logradouros e nos vehiculos”.
Depois do banho de mar matinal, todos iam beber seu copo de leite, ao pé da vaca, num estábulo da Rua Barata Ribeiro.
A Avenida Atlântica
Na administração do prefeito Paulo de Frontin foi inaugurada a nova Matriz de Nossa Senhora de Copacabana e Santa Rosa de Lima, no local onde estava a Capela do Senhor do Bonfim (atual Praça Serzedelo Correia). Também, no mesmo ano, em 22 de julho de 1919, foi inaugurada a nova Avenida Atlântica, com pista dupla e iluminação no canteiro central, o que embelezou mais ainda a praia. Dessa época datam os primeiros edifícios de apartamentos de Copacabana e o novo Forte do Leme (atual Forte Duque de Caxias).
Depoimentos:
“Av Atlântica, lindas casas construidas pelas familias Guinle, Dias Garcia, Paula Machado, imediações posto 03. Ainda hoje existe a casa dos Dias Garcia… Chateaubriand adquiriu por compra uma da familia Guinle. Nesta avenida existiu o Hotel Londres muito antes do Copacabana Palace. Na esquina da Atlantica com Santo Expedito moravam familiares de Olegario Mariano. A área hoje é ocupada por um restaurante usado para festas no carnaval. 1918/1925 época de minha referencia não existiam predios (arranha-ceu), somente casas. O primeiro edificio da Av Atlântica foi construido no final do Posto Seis, edificio Olinda, ali hoje é um hotel construido por Santos Dias (familia pernambucana).
Na esquina da Av Atlantica com Barrozo, Posto Treis existia predio servindo assistencia publica como mais adiante uma escola publica. Ha um fato, acredito ocorrido 1919 a 1922, naufragio e/ou encalhe de um navio mercante cujos restos permanceram por muito tempo no local, era nas imediações hoje Copacabana Palace.
Cinemas Atlantico e Americano. O primeiro, no quarteirão Barrozo/Figueiredo Magalhaes, o segundo defronte a Dias da Rocha (cinema mudo).
Na esquina da rua copacabana / Barrozo existia a estação dos bondes da Light e ao lado Hotel Balneario. Copacabana era servida pelos bondes eletricos, dos tipos respectivamente apelidados por Bataclan e outro, inferior, de Taioba e, ainda, outro para carga fazendo entrega a domicilio.
Na minha lembrança havia um hotel na rua copacabana bem afastado do parametro da rua, em cima da pedra usando um plano inclinado para locomoçãp dos hospedes. Possuia denominação estrangeira hotel dos inglezes, talvez. Ficava onde hoje tem a Praça Sarah Kubischek defronte da rua Almirante Gonçalves. Não tenho encontrado nenhuma referencia sobre a existencia deste hotel. Ali perto deste trecho morava o medico pernambucano Pereira Ernesto que foi, no governo Vargas, prefeito do Rio. Colegio; lembro-me da existencia do gymnasio brasileiro ocupando uma grande area e hoje é a Galeria Menescal.
Há uma ocorrencia bélica no bairro de Copacabana (não se trata dos 18 revoltosos) mas do bombardeio de um navio de bandeira alemã, BADEN, que no dia 24 ou 30 outubro 1930 (vitoria revolução) zarpou do Porto Rio sem autorização da Marinha e desobedeceu as advertencias do forte do leme com tiros canhão sendo atingido na popa quando passava praia ipanema leblon. esta eu assisti e consta da historia do forte do leme. São coisas da memoria de menino. Agradeço seu reparo, Sylvio!”
–Sylvio Vasconcellos
Nos anos 70, no governo Negrão de Lima, foi inaugurada a ampliação da praia e da Avenida Atlântica. Uma nova concepção urbanística dá à praia de Copacabana uma grande faixa de areia. As calçadas da orla maritíma, continuaram com seus desenhos em forma de ondas, mas o canteiro central ganhou belos desenhos geométricos, do arquiteto e urbanista Burle Marx e várias árvores.
O Copacabana Palace
Em setembro de 1923, foi inaugurado com pompa, na Avenida Atlântica, o Copacabana Palace Hotel, considerado o mais sumptuoso edificio do genero que possue a America do Sul e um dos mais lindos do mundo.
O hotel tornou-se um ponto de convergência da alta sociedade carioca e, dessa forma, os terrenos vizinhos ao hotel ficaram muito valorizados.
No trecho das avenidas Atlântica e Nossa Senhora de Copacabana, próximo a praça do Lido, ergueram-se os primeiros edifícios de apartamentos, símbolos de um bairro moderno e elegante.
O estilo art-déco surgia na cidade e foi imediatamente implantado em Copacabana que ainda existem até hoje, onde esse estilo se apresentou de forma mais expressiva nos prédios: Edifício Itaóca (Rua Duvivier, 43), Edifícios Tuyuti, América e Caxias (Rua Ministro Vieiros de Castro, 100, 110 e 116), Edifícios Ophir e Guahy (Rua Ronald de Carvalho, 154 e 181).
Moradores ilustres
Os moradores famosos começaram a surgir. A família do jornalista Mário Rodrigues – pai de Nelson Rodrigues, então com 12 anos -, instalou-se próximo ao Inhangá, em 1924, mudando-se dois anos depois para um espetacular palacete na esquina das ruas Joaquim Nabuco e Raul Pompéia. A sucessiva morte de uma filha de 8 meses, de um filho assassinado e do pai Mário, diz-se de desgosto, empurrou a família Rodrigues para a Zona Norte. Na obra do cronista e dramaturgo, a Zona Sul seria sempre uma filial do inferno. O tal palacete penou com a fama de mal-assombrado até ser demolido em 1960.
Copacabana ainda era uma planície semideserta, mas tinha um grande ponto de encontro. Em 1905, a casa de Afrânio de Melo Franco, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana reunia a intelectualidade daquela época, para conferências, escolha de candidatos e também política internacional. Desde o governo do presidente Venceslau Brás (1914), a casa de Mello Franco recebia todos os políticos importantes.
Durante o período de interinidade do presidente Delfim Moreira (1918), o Governo da República ali se abrigou. A campanha de eleição de Artur Bernardes (1922) para a presidência e a luta de bastidores, desenrolou-se nos seus salões. Episódios políticos que precederam a escolha de Getúlio Vargas (1930) como candidato da Aliança Liberal, também ali aconteceram.
Copacabana fez política durante décadas, porque muitos nomes que fizeram a história do Brasil escolheram o bairro para morar:
Presidentes da República
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Eurico Gaspar Dutra
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João Fernando Campos Café Filho
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Carlos Coimbra da Luz
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Nereu de Oliveira Ramos
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Juscelino Kubitscheck de Oliveira
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João Belcjior Marques Goulart
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Ranieri Mazzili
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Emílio Garraztazu Médici
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Tancredo de Almeida Neves
Governadores
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Carlos Werneck Lacerda
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Magalhães Pinto
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Leonel de Moura Brizola
Ministros de Estado
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Odílio Denys
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Afrânio de Mello Franco
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Henrique Teixeira Lott
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Armando Falcão
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Horácio Lafer
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Lyra Tavares
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Lucas Lopes
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Otávio Gouveia de Bulhões
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Otávio Gondin
Outros políticos, militares e personalidades
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Assis Chateaubriand (na Avenida Atlântica entre Rua Miguel Lemos e Rua Djalma Ulrich)
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Benedito Valadares
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Olímpio Mourão Filho
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Cibilis Viana
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Roberto D’Ávila
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Dorival Caymmi
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Augusto Frederico Schmidt
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Paulo Coelho
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Billy Blanco
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Clovis Bornai
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Mário Lago
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Neguinho da Beija-Flor
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Josué Montello
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Cauby Peixoto
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Sylvinha Telles
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Dercy Gonçalves
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Braguinha
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Bruno Medina
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Marta Rocha
Eleita Miss Brasil, em 1954, a baiana Marta Rocha, que ficou em 2º lugar no concurso de Miss Universo, por causa de duas polegadas a mais, nos quadris. Hoje, ainda muito bonita e já tendo passado dos 60 anos, com três filhos e seis netos, Marta Rocha é ilustre moradora de Copacabana e diz que para manter a forma tem dois segredos: caminhar no calçadão da Avenida Atlântica e tomar água de coco.
Depoimentos:
“Sylvinha Telles sempre morou em Copacabana, quando criança em uma casa em Copa, depois na Avenida Copacabana esquina de Paula Freitas, assim como Jorge Benjor, e por último no Bairro Peixoto.
Emilinha Borba terminou seus dias em Copa, na Figueiredo Magalhães e hoje Marlene mora no mesmo prédio em que Sylvinha Telles morou, o Vitória Régia, esquina de Paula Freitas.”
–Claudia Telles
Copacabana na Bossa Nova e MPB
A Bossa Nova nasceu na Avenida Atlântica, na casa de Nara Leão, onde a partir de 1956, jovens da classe média, como: Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Carlinhos Lira e outros, em torno de cervejas e sanduíches se reuniam para cantar.
Porém o fato que marcou o aparecimento da Bossa Nova foi o disco gravado por Elizete Cardoso, em 1958, Canção do amor demais, cujo acompanhamento era feito pelo violonista João Gilberto, com uma nova forma rítmica, uma batida diferente, logo batizada de Bossa Nova. João Gilberto tornou-se depois cantor e o papa da Bossa Nova, reconhecido no mundo inteiro.
Com a mudança do Distrito Federal para Goiás e sua capital para Brasília, o Rio de Janeiro ressentiu-se muito, pois todos os órgãos oficiais, ministérios, Câmara e Senado se transferiram para lá e, por extensão, Copacabana também sentiu os efeitos do impacto sofrido na cidade. Quero ser pobre sem deixar Copacabana, a frase define a paixão pelo bairro, mas Brasília, a nova capital federal, acenava para todos que quisessem crescer com ela. Billy Blanco, compositor de música popular brasileira – por diversas vezes cronista do Rio de Janeiro, nas suas obras musicais -, contrário a esse êxodo, compôs Não vou pra Brasília, samba lançado em 1957, que dizia:
Eu não sou índio nem nada,
não tenho orelha furada
e nem argola
pendurada no nariz.
Não uso tanga de pena
e a minha pele é morena,
do sol da praia, onde nasci
e me criei feliz.
Não vou, não vou pra Brasília,
nem eu, nem minha família,
mesmo que seja
pra ficar cheio da grana.
A vida não se compara,
mesmo difícil e tão cara,
quero ser pobre
sem deixar Copacabana.
Gravada em 1968, Superbacana, de Caetano Veloso, expõe sua paixão por Copacabana, de maneira moderna:
Toda essa gente se engana
ou finge que não vê
que nasci pra ser um superbacana,
superbacana, superbacana,
Super-homem, super Flit,
super Vick, Superhist, superbacana.
Estilhaço sobre Copacabana,
tudo em Copacabana, Copacabana.
O mundo explode longe, muito longe,
o Sol responde, o tempo esconde,
o vento espalha e as migalhas
caem todas sobre Copacabana
me engana, esconde o superamendoim,
o espinafre biotônico,
o comando ao avião supersônico,
do parque eletrônico,
do poder atômico, do avanço econômico:
a moeda número um do tio Patinhas
não é minha.
Um batalhão de cow boys
varre a entrada da legião de super-heróis;
eu, superbacana, vou sonhando
até explodir colorido,
no sol dos cinco sentidos,
nada no bolso, ou nas mãos.
Um instante maestro!
Copacabana, a Princesinha do Mar, foi eternizada em música de João de Barro, o Braguinha, e Alberto Ribeiro e gravada em 1946, por Dick Farney, tornando-se conhecida no mundo todo, com centenas de gravações. Os versos são:
Existem praias tão lindas
cheias de luz,
nenhuma tem os encantos
que tu possuis.
Tuas areias, teu céu tão lindo,
tuas sereias sempre sorrindo:
Copacabana,
princesinha do mar,
pelas manhãs tu és a vida a cantar
e à tardinha ao sol poente
deixas sempre uma saudade na gente.
Copacabana,
o mar, eterno cantor,
ao te beijar ficou perdido de amor
e hoje vive a murmurar
só a ti Copacabana
eu hei de amar!
Acontecimentos importantes
A década de 50 marcaria Copacabana com três acontecimentos importantes: o atentado a Carlos Lacerda, em 5 de julho de 1954; a morte de Aída Cury, em 14 de julho de 1958; o nascimento da Bossa Nova, em 1958 com a gravação do disco Canção do amor demais por Elizete Cardoso.
O jornal O Globo noticiava em 29 de janeiro de 1954
“Desde 1935, quando foi inaugurado o Cassino Atlântico, o Posto Seis, em Copacabana, tem sido um dos pontos de maior animação carnavalesca da capital da República. Atualmente, transformado em sede da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), o edifício da esquina da Avenida Atlântica com a Rua Francisco Otaviano continua mantendo a tradição de baluarte da alegria carnavalesca. Há duas semanas vêm realizando em sua boate os movimentados bailes “Sassaricadas” (das 14h às 20h), os quais terão prosseguimento, todos os sábados, até o carnaval.”
Carlos Lacerda era deputado federal, em 1954, no Distrito Federal, cuja capital era o Rio de Janeiro.
O jornal O Globo noticiava em 24 de março de 1954
“Lacerda e filho de aranha trocam socos
Principiando por uma altercação seguida de luta corporal entre o Sr. Euclides Aranha e o jornalista Carlos Lacerda, um incidente que se prolongaria até a meia-noite, resultando, inclusive, em congestionamento do tráfego da Avenida Atlântica e interdição do local por autoridades policiais, perturbou na noite de ontem o jantar no Bife de Ouro, o restaurante do Copacabana Palace Hotel. Achavam-se reunidos na mesma mesa o ministro João Cleophas, o deputado Edilberto Ribeiro, o Sr. Manuel Ferreira e Carlos Lacerda, diretor da “Tribuna da Imprensa”, num jantar promovido pelo deputado. De outra mesa, o Sr. Euclides Aranha, filho do ministro Oswaldo Aranha, jantava com a esposa, levantou-se, fisionomia transtornada, dirigiu-se à mesa onde se encontrava o referido grupo, deteve-se junto à cadeira do jornalista e interpelou-o sobre ataques dirigidos a seu pai na “Tribuna da Imprensa”. À interpelação seguiu-se áspera troca de palavras, tendo o jornalista se levantado, entrando em luta com o filho do ministro da Fazenda. Segundo as testemunhas, os dois trocaram socos por algum tempo, até que amigos comuns se interpuseram e os separaram. Às 23h, o próprio ministro Oswaldo Aranha compareceu ao restaurante para ver o que ocorrera. Pouco depois, simultâneamente, por portas diferentes, os Srs. Euclides Aranha e Carlos Lacerda abandonaram o Bife de Ouro.”
O presidente do Brasil era Getúlio Vargas, eleito em 1950, de cujo governo Lacerda fazia oposição permanente. Depois de várias crises contra o governo de Getúlio Vargas, sempre muito atacado por Lacerda, este sofreu um atentado, na Rua Tonelero, em Copacabana, onde morava, por elementos da guarda pessoal do presidente. Lacerda foi atingido no pé, mas seu amigo major Rubem Vaz, da Aeronáutica, de quem se despedia na calçada do edifício Albervânia, foi atingido mortalmente. Desse episódio, desencadeou-se enorme desgaste para Getúlio Vargas, culminando com seu suicídio, em 24 de agosto de 1954. Foi uma comoção nacional.
O jornal O Globo noticiava em 19 de maio de 1954
“As mazelas de Copacabana
Copacabana, que com sua maravilhosa praia, hoje célebre em todo o mundo, e a beleza alpestre dos seus limites do lado oposto do mar, bem podia ser um recanto do paraíso, há muito está, deplorávelmente, convertida num verdadeiro inferno. Começa por ser um bairro de densidade demográfica já excessiva, que conta apenas com duas vias de acesso. Mas, afinal, isto, apesar dos seus tremendos inconvenientes, não é o pior. Há a falta d’água, as ruas esburacadas, as calçadas impedidas por montes de material de construção e até por muros inconcebíveis, como, por exemplo, aqueles que se vêem na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre as Ruas Fernando Mendes e Rodolfo Dantas. Dir-se-ia que os citados muros se erguem absurdamente, incrivelmente, ali, barrando a calçada, para mostrar a quantos passam pela movimentadíssima avenida que tudo é possível em Copacabana.
Tudo é, realmente, possível em Copacabana, tudo quanto é mazela. Talvez por isso, as autoridades municipais estejam despreocupadamente deixando que a praia mais famosa das Américas venha sendo transformada no mais imundo dos vazadouros. Causa engulhos o que se vê, ou, com mais exatidão e não menor repugnância, o que se pisa ali. Aquelas areias prateadas e magnificamente esplendentes ao sol estão pontilhadas do que há de mais nauseabundo. É que a praia de Copacabana passou agora a ser residência desimpedida de um dos maiores contingentes de vagabundos ainda concentrados nesta capital. Ali eles comem, ali eles dormem, ali eles fazem o que querem ou a natureza lhes dita, sem que apareça qualquer agente da autoridade para dizer-lhes que já é tempo de começar a sofrer alguma restrição a desmedida liberdade de que têm tão farta e repugnantemente abusado.”
Em janeiro de 1958, Rubem Braga, cronista conceituado, escrevera Ai de ti Copacabana, crônica na qual como um profeta do apocalípse, lamentava:
“Já movi o mar de uma parte e de outra parte, e suas ondas tomaram o Leme e o Arpoador, e tu não viste este sinal; estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia. “
O Reveillón
Numa iniciativa do Hotel Méridien-Rio, no Réveillon de 1976, que promoveu uma deslumbrante queima de fogos do alto de seu edifício, na Avenida Atlântica esquina com Avenida Princesa Isabel, fixou-se no calendário da cidade esse evento e institui-se a queima de fogos na praia.
Antes eram promovidos encontros dos adeptos da umbanda e candomblé, cultos de origem africana, que iam jogar flores e presentes, no último dia do ano, nas águas de Copacabana para Iemanjá, para agradecer as bençãos do ano que findava, ou para pedir novas bençãos para o ano que começaria dali a instantes. No início dos anos 80 o hotel produziu um espetáculo mais abrangente, incluindo um show de raios laser. A partir daí, a hotelaria e os restaurantes da orla marítima, juntamente com a Prefeitura, aderiram a esse show, tornando Copacabana palco da mais grandiosa festa de réveillon do Rio de Janeiro e da maior queima de fogos simultânea do mundo, registrada no Guiness, o livro de recordes, desde 1990, que a cada ano recebe um público sempre maior, calculado em mais de 2 milhões de pessoas, que vêm de outros bairros, de outros estados, de outros países.
A Maratona
Copacabana abriga mais um evento que se fixou no calendário da cidade: a Maratona do Rio, que desde 1984 foi designada pelo Comitê Olímpico Brasileiro como prova seletiva das Olimpíadas de Los Angeles. Com início e final de percurso na praia, os 42.195m têm uma participação anual de 5.000 corredores, em média.
Copacabana até os dias de hoje
O prefeito Marcello Alencar, em sua primeira administração, inaugurou o Parque da Chacrinha, área verde do bairro, com acesso à reserva de mata atlântica do Morro de São João. Na ocasião foi plantado um espécime raro da flora nativa local, que havia desaparecido com a urbanização do bairro, a Eugenia Copacabanensis ou araçá da praia. No ano seguinte, atendendo a uma reivindicação antiga dos moradores do Bairro, o prefeito mandou plantar na areia da praia de Copacabana, em vários locais, verdadeiros oásis de coqueiros. Dessa forma foram garantidos outros pontos de sombra na praia.
Em 1991, a orla marítima ganhou uma ciclovia e pedalar virou moda. Nos fins de semana a pista junto à praia – descida dos ônibus e carros que vêm do Leblon, Ipanema e outros bairros -, é fechada para lazer da população, com praticantes de patins, pessoas caminhando e com a belíssima vista do mar.
No ano de seu centenário, 1992, Copacabana virou samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Vigário Geral com o tema Cem anos de ondas de Copacabana, sagrando-se campeã do Carnaval. Apesar do bairro abrigar a maioria dos diretores e donos de jornais, até o surgimento do Copacabana Palace Hotel, seu carnaval apresentava-se de forma incipiente e, no início, essa festa parecia privatizada por seus moradores. Copacabana recebia com cerimônia os foliões que vinham de fora. Durante o ano os moradores freqüentavam as luxuosas dependências do Atlântico Club e do Praia Club. Quando o Carnaval chegava, participavam de suas festividades com muito entusiasmo. Em 1932, o governo oficializou o Carnaval e a partir daí Copacabana começou a abrir seus salões para pessoas das camadas sociais mais baixas. Alguns preconceitos foram liberados e o bairro passou a ter participação na alegria das ruas. Desde o início do século XX já havia os grupos carnavalescos: Sociedade Carnavalesca Prazer do Leme, Peixinhos do Amor e Flor de Copacabana. Eram comuns, na época, grandes batalhas de confete e lança-perfume, promovidas por moças e rapazes do bairro, na Avenida Atlântica, no trecho entre as Ruas Constante Ramos e Furquim Werneck (hoje Xavier da Silveira), ficando nesta principal artéria de Copacabana a manifestação coletiva de carnaval de rua.
O primeiro jornal do bairro, fundado em 1907, O Novo Rio, registrou as festas de carnaval e, mais tarde, veio a ter como colaborador Orestes Barbosa, o inesquecível autor – junto com Sílvio Caldas – de Chão de Estrelas. Em 1920, surgiu o jornal Beira Mar, que se destacou de forma decisiva nas reivindicações dos moradores de Copacabana (exemplo: os moradores de Copacabana se uniram para pedir ao então prefeito Antônio Prado Júnior que desse um jeito nos postos de salvamento. O bairro estava crescendo e, com isso, aumentava o número de afogamentos. No livro “Orla carioca”, a historiadora Cláudia Gaspar destacou a notinha publicada na edição do jornal “Beira Mar” de 29 de outubro de 1929: “Não é bastante que tenhamos as praias mais bellas do mundo. Faz-se mistér que as tenhamos aparelhadas de um moderno e perfeito serviço de sauvetage , como Nice, Galveston e outros idênticos paraísos balneários…”) e nasceu aquela que seria chamada a força revolucionária da música popular brasileira, Dircinha Batista, que com sua voz interpretou e colaborou com muitos carnavais.
A juventude do bairro gastava suas energias e animação carnavalescas nas ruas e nos clubes que surgiam e inaugurou-se o banho de mar a fantasia. A partir de então, Copacabana começou a sentir o reflexo desses desfiles que crescem de ano para ano, com a participação de pessoas vindas de outros bairros cariocas, com fantasias variadas nos bondes, nos trens, e de papel crepom para os banhos de mar a fantasia. Havia corsos, batalhas de confete e muita animação. Na década de 50, havia um grupo de rapazes, bem nascidos e bem sucedidos, que se encontrava na Confeitaria Alvear para beber e conversar, surgindo o Grupo dos Cafajestes, que na época de Carnaval dali partiam para os bailes de Copacabana. Nos bailes importantes, nos pré-carnavalescos, esse grupo era dos mais animados. Criaram os Bailes do Caju Amigo que ficaram famosos e concorridos por muitos anos. Numa dessas festas – conta-nos o jornalista Ibrahim Sued no seu livro 30 Anos de Reportagem -, a atriz de Hollywood, Jane Mansfield, impulsionada pelo caju superamigo, dançou totalmente nua em cima de uma das mesas da boate Au bon gourmet, onde ocorria o baile de carnaval.
A Rua Miguel Lemos, tradicional de Copacabana pela união de seus moradores, continuou a estimular o carnaval do bairro, realizando sensacionais bailes pré-carnavalescos e atraindo muitos foliões durante todo o período do rei Momo. Até hoje essa tradição se mantém, ocorrendo também outras comemorações em épocas de Copa do Mundo, festas juninas e datas festivas.
O Copacabana Palace Hotel continuou com a fama internacional de seus bailes, tanto que em 1964, no carnaval do 4º Centenário da Cidade vieram artistas e milionários famosos, como Porfírio e Odile Rubirosa, Brigite Bardot, Alberto Sordi, Elza Martinelli e muitos outros. Ano após ano as festas foram se sucedendo, mas o carnaval em Copacabana foi ficando reduzido até a criação de bandas que fizeram renascer o carnaval de rua. A primeira foi a Banda do Leme, criada em 1971, além desta desfilam a Bandida, da Rua Rodolfo Dantas; a Banda Bomba, da Rua Bolívar; a Banda da Boca Maldita, da Avenida Prado Junior; e seguem-se as bandas das ruas Duvivier, Paula Freitas, Sá Ferreira, Santa Clara, Miguel Lemos e várias outras.
Na década de 80, um bloco transformou-se em escola de samba, tornando-se Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Vila Rica, chegando ao Grupo de Acesso. Sua quadra de ensaios está localizada no Morro de São João, cuja entrada se faz pela Ladeira dos Tabajaras.
A larga praia de Copacabana, em dias de sol, é um maravilhoso sorvedouro humano que se aglomera na areia e na quebrada das ondas. Ali se reúnem todas as classes sociais e profissionais, democraticamente: são feitos negócios pequenos e milionários, são apostados centavos e milhões de dólares, são vendidos desde limonadas até caros apartamentos e aviões, se agrupam homossexuais, casais, famílias, times de futebol de areia e voleibol de areia – esportes criados e profissionalizados em Copacabana -, concertos de música, vendedores de todos os tipos de quinquilharias, tudo ao mesmo tempo.
Copacabana hoje possui a maior rede hoteleira do Rio de Janeiro com mais de 80 diferentes hotéis para todos os gostos e bolsos. Recheada de turistas, oferece variadas opções para a vida noturna entre feiras de artesanatos ao ar livre, bons restaurantes, boates, cinemas, livrarias e bares.
Mapa de Copacabana
Fontes
• O Guia Legal: http://www.oguialegal.com
• Copacabana.com: http://copacabana.com



O predia que vcs se referem na rua Sá Ferreira, não era Ferriri e sim Ferrini, eu morei nele até seu fim na decada de 70.
Obrigada pela sua participação e correção! Adorei pq o seu comentário veio com fonte confável!
Parabéns pelo belo trabalho. Como morador de Copa me sinto gratificado de ver essa página.
Olá, Sylvio!
Fico feliz que tenha gostado do trabalho!
Continue visitando o blog!
Abraços,
Vanesa López
Gostaria e informações, fotos e etc. sobre uma Empresa que funcionou na Av. Atlantica com frente para Gustavo Sampaio chamada
Guarda Móveis Copacabana
Guilherme, não tenho essa informação.
Talvez você consiga na JUCERJA – Junta Comercial do Rio de Janeiro.
Site: http://www.jucerja.rj.gov.br/
Endereço: Av.Rio Branco, 10 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Telefone: (21) 2334-5400
Abraços,
Vanesa López
MARAVILHOSO ACOMPANHAR TÃO DESPRETENCIOSA NARRAÇÃO DE FATOS QUE, COMO MORADOR DO BAIRRO DO LEBLON E FREQUENTADOR ASSÍDUO DE COPACABANA, POSSO RATIFICAR.
COMO FOI BOM RECORDAR!
PARABÉNS