Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Eram 05:55hs quando o despertador tocou. Pulei da cama (já havia acordado vááárias vezes durante a madrugada) e fui direto pro banho. Debaixo do chuveiro, fui repassando mentalmente todo o material de trabalho que eu havia separado na noite anterior pra não correr o risco de esquecer alguma coisa. Com o uniforme devidamente passado, crachá de guia na bolsa e maquiagem feita, saí em direção ao ponto de ônibus para seguir até o terminal Alvorada e de lá pegar o ônibus da Real Turismo até o Aeroporto Internacional Tom Jobim.
A quinta-feira amanheceu linda. A noite anterior tinha chovido e ventado muito (e o medo do dia amanhecer cinzento???). No caminho pro ponto de ônibus, fui orando e agradecendo: “Deus, muito obrigada pelo dia maravilhoso que o Senhor preparou pra mim. Protege meus tornozelos neste primeiro dia e me ajude a fazer um bom trabalho.”
Ao chegar no Aeroporto, fui conferir o status do meu vôo. O painel mostrou “previsto: 09:15hs” mas eu já sabia que ele iria pousar antes, às 08:57hs (verifiquei na internet antes de sair de casa). Quando o Delta 061 finalmente pousou, fui pra “grade dos guias”, aquele cercadinho que o aeroporto faz para que os familiares e nós, guias de turismo, fiquemos em pé por horas intermináveis esperando pelos passageiros enquanto seguramos as nossas plaquinhas com os nomes deles, sempre sorrindo. Tinha esquecido como é bom ver alguém chegar de uma longa viagem e encontrar um rosto conhecido esperando por ele…o sorriso abre enorme e os olhos ficam cheios d´água.
Uma hora e quinze minutos após o pouso, quando já quase não havia mais nenhum guia no saguão, eu continuava em pé, segurando a plaquinha, sorrindo e pensando: “Que beleza…tomei no-show (quando o passageiro não aparece, perde o vôo por algum motivo)”. Eis que surge o Sr. Michael, todo feliz, apontando pra minha plaquinha e dizendo: “It´s me!! It´s me!!”.

Navio Silver Cloud - Dezembro 2008
Feitas as devidas apresentações, fomos para a van e seguimos até o Cais do Porto Pier Mauá para fazer o check-in no navio Silver Cloud onde eles, na sexta-feira, zarpariam rumo à minha terra natal, Buenos Aires. Meus passageiros a princípio ficaram na deles (assim como todo e qualquer turista que chega à cidade e ainda não pegou intimidade com seu guia de turismo) mas a medida que o tempo foi passando foram ficando mais a vontade, amáveis e divertidos!
Informei que a previsão do tempo para a parte da tarde era de chuva e que no dia seguinte iria chover o dia todo. Decidimos aproveitar os maravilhosos 20% de chance que havia de não chover e fomos até o Corcovado. Vale comentar que o ingresso está um absurdo: R$ 45,00 por pessoa. Assalto!! A vista estava linda, sem nuvens, calorzinho gostoso mas o que mais me impressionou foi que, ao chegar ao topo do Corcovado, a sensação que tive foi a de nunca ter parado de ir lá. Foi como se eu tivesse ido ao Cristo no dia anterior. Maravilha, era a auto-confiança voltando à ativa!!
Algumas caipirinhas depois (tomadas pelos passageiros, claro!!), seguimos até o Pão de Açúcar e tive a oportunidade de andar no novo bondinho. Um luxo! Muito mais espaçoso e com maior circulação de ar. O ingresso também foi outro absurdo: R$ 44,00 por pessoa! A visita ao Pão de Açúcar também foi rápida e depois de uma hora, retornamos ao Pier Mauá. Assim que chegamos, o tempo mudou mas só lá pras 20h30m é que começou a cair uma garoazinha. Deus não é maravilhoso?!
Prometi buscá-los no dia seguinte, sexta-feira, às 09 horas, para a outra parte do tour e fui pra casa…bem, eu tentei ir pra casa, né? Levei 2h35m entre o Centro da cidade e o Recreio. Que trânsito é esse??? Já no caminho pra casa decidi verificar os tornozelos: só um pouquinho inchados. Normal, depois de tanto tempo parada, eu já sabia que isso ia acontecer e não me assustei. Depois de um banho quente, deitei na sala pra conversar sobre o dia com o meu marido enquanto fazia aplicação de gelo. Fquei pronta pro dia seguinte!
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Montagem do palco para show da Madonna no Maracanã - 2008
A sexta-feira também começou cedo mas desta vez o dia amanheceu chuvoso e cinzento. “Ok, sem problemas. É bom pra ter um desafio novo no dia de hoje”, pensei. Verifiquei os tornozelos…prontos pra outra! Banho, uniforme, maquiagem, van até o Centro. Cheguei bem cedo já traçando o roteiro do novo passeio. No dia aterior, Marilyn e Barbara haviam me dito que gostariam de ir às compras em Ipanema. Queriam olhar as lojas com produtos brasileiros, ver o carioca no seu ambiente natural, sentir o charme do bairro. Excelente! Nada como planejar um dia de compras pelo charmoso bairro de Ipanema, que nesta época do ano cobre muitas de suas calçadas com tapetes vermelhos e por onde se anda só se vê decorações de Natal.
Com o tempo cinzento, mas quente, fomos direto pro Maracanã. O trânsito estava uma beleza, nunca vi igual, sem engarrafamento, apesar de ser sexta-feira. Compramos os ingressos para visitar o estádio. Lá dentro, a preparação pro show da Madonna estava a todo vapor. Não foi possível visitar os vestiários e muito menos chegar ao gramado como geralmente fazemos nos tours. Somente a visita ao 6º andar, de onde se vê todo o estádio, estava autorizada. Aproveitei para tirar uma foto da montagem do palco pro show que iria acontecer neste domingo, dia 14, e na segunda-feira, dia 15.
Depois da agitação do samba, fomos pra serenidade da Catedral Metropolitada. Durante o trajeto, expliquei que geralmente as pessoas pensam que a visita à Catedral do Rio é uma coisa dispensável, afinal, “Catedral não é tudo igual??”, mas que a nossa Catedral era completamente diferente, uma obra arquitetônica única e com um significado todo especial. Ficaram curiosos e ao chegarmos lá, a curiosidade deu lugar à admiração. Se você nunca foi lá, tire um tempinho e faça uma visita. Independente da sua religião, a Catedral é uma obra de arte a ser admirada.
Com a parte histórica quase completa, e com a informação dada pelo motorista de que a chuva já estava em Niterói, o grupo decidiu apressar o passeio e ir direto pra Ipanema. Atravessando o Centro passando pelo Teatro Municipal, Museu de Belas Artes e Biblioteca Nacional, pegamos o Aterro do Flamengo. Apesar das nuvens carregadas, o Pão de Açúcar estava aberto (com boa visibilidade) enquanto que o Cristo Redentor desapareceu no meio do céu.
Em Ipanema, descemos no final da Avenida Visconde de Pirajá e fomos andando, visitando algumas lojas, passeando pela feira ao ar livre da praça Nossa Senhora da Paz. Eles gostaram muito da variedade e opções de cores das flores da feira. Realmente, pra quem gosta, é de encher os olhos.

Eu, Dick (camisa verde), Michael, Marilyn, Barbara (blusa vermelha)
Felizes com as compras mas já com muita fome, me pediram uma sugestão “carioca” para almoço. Não queriam nada chique como o restaurante Marius, queriam algo popular, onde pudessem sentar e ver o povo daqui. Sugeri o restaurante Garota de Ipanema (Rua Vinícius de Moraes, 49 – Ipanema) que, apesar de receber muitos turistas, é bem procurado pelos cariocas. Eles amaram o clima, gostaram de ouvir as pessoas conversando em português e as opções de comidas brasileiras no cardápio. Optaram pelo Filet Mignon com fritas, Contra File à Oswaldo Aranha, pizza brotinho de calabresa e napolitana, tudo devidamente acompanhado com chopp Brahma e caipirinhas, claro!
Durante o almoço a conversa fluiu bem. Michael, cientista aposentado, contou que foi o responsável por desenvolver o laser que aparece nos cds e dvds. Barbara, professora de jardim da infância aposentada, elogiou meu inglês (veja só, e eu que me achei enferrujada). Me contaram sobre o seu dia a dia, amigos que chegaram a pagar U$ 20 milhões (!!!) para “dirigir” até a Lua e ficar lá por 10 dias, coisas do cotidiano como a reforma que estão fazendo no seu novo apartamento, como era quando eles trabalhavam, economia, educação e saúde nos Estados Unidos, entre milhares de outras coisas.
Com o fim da tarde se aproximando, voltamos ao Pier Mauá e antes de me despedir deste maravilhoso grupo, presenteei Dick com uma caixa de chocolates Garoto. Amanhã, dia 13 de Dezembro é seu aniversário (Barbara havia me dito ontem durante o almoço no Marius) e achei que chocolates brasileiros iam cair bem. Eles amaram mas Dick disse que não ia dividir os chocolates com ninguém!
Na entrada do Pier, abraços e beijos (vejam só, foram eles que tomaram a iniciativa de abraçar e beijar. Pra quem não sabe, os americanos costumam ser mais reservados e proximidade, logo, foi um excelente sinal!!) e promessas de mantermos contato e, quem sabe, uma amizade duradoura.
A chuva começou a cair assim que terminei de me despedir. Uma vez mais vi a mão de Deus segurando os 80% de chance de chuva para que o dia terminasse bem. Na volta pra casa, mais engarrafamento, claro, mas desta vez os tornozelos ficaram bem.
Deste últimos dois dias e destes maravilhosos casais, fica a certeza de que amo o que faço cada vez mais. Nem tinha percebido o quanto esse clima do turismo tinha me feito falta. Foi emocionante ver a superação a cada hora passada em pé no aeroporto, nas filas pro Corcovado ou pro Pão de Açúcar, ver que meus tornozelos responderam bem. Há tempos esperava por isso…só o que tenho a acrescentar é o meu agradecimento à Deus por ter me dado forças para superar esse período que passou e pedir que continue abençoando cada passo meu para que eu continue fazendo o que amo, cada vez melhor.
É preciso dizer:
• E não é que Deus me deu de presente os 20% de chance de NÃO chover na quinta e na sexta-feira? Obrigada, Pai!
Uma amiga, pra me dar força, mandou por torpedo pro meu celular: “Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o SENHOR teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” – Josué 1:9
• A Real Turismo está de parabéns. Os ônibus que fazem a ligação entre a Barra da Tijuca e o Aeroporto, via Linha Amarela, são novos em folha. Acabou o cheiro de mofo dos bancos e a barulheira das janelas batendo umas contra as outras. Excelente!
• Corcovado: R$ 45,00. Pão de Açúcar: R$ 44,00. Brincadeira, hein!!!
• O meu grupinho adorou a idéia da foto e de colocá-la no blog.
Q lindo! Amei seu texto sobre a sua volta ao trabalho! Vc escreve muito bem! ( Sei q já te falei,mas não vou me cansar!)
Menina…adorei seu comentário sobre o torpedo. Fiquei emocionada ao ver q o torpedo caiu bem exatamente na hora q vc tava cheia de expectativa, mas enfim no dia reconhecemos que Deus ESTEVE o tempo todo cuidando da gente. Obrigada,Pai!
Sucesso,Vanesa! Beijão!